terça-feira, 5 de maio de 2009

ATA DA REUNIÃO DA RODA EM 29/04/09

Presentes:

Rudi (Redemunho)
Maysa (Atuadoras)
Leonardo
Oswaldinho (Estável)
Adriana (Antropofágica)
Sidney Nunes (Estável)
Patrícia (Folias)

Pautas:

- Avaliação do encontro com a comissão que julgou os projetos da XIV edição.
- Preparação de uma assembléia na cooperativa CPT para discutir procedimentos da mesma.
- Construção do seminário de politização do ator.


Iniciamos a discussão sobre a existência de vários movimentos de trabalhadores de teatro que não dialogam entre si tendo as mesmas exigências e se a co-existência facilita ou dificulta as ações da categoria, assim como porque da não fusão da Roda do Fomento ao Movimento 27 de Março. As posições não são claras para todos. Há aqueles que defendem que a Roda deve continuar atuando na esfera municipal, mesmo tendo articulado e mobilizado pela criação do Movimento 27 de Março não se vê organizada estruturalmente como o movimento. Na Roda entra e sai quem quer, não há comando, assume-se as responsabilidades quem estiver disposto. A conversa caiu no vazio.
A pauta sobre o encontro com a comissão se deu muito a respeito da carta de abertura do encontro, que em um de seus pontos coloca a discussão com a comissão antes de eleita sobre caso um grupo ou Cia. já tivesse sido contemplada por outro edital de valor expressivo, que isso fosse objeto de desempate a favor de grupo ou Cia. que não tivesse fomento desde de que o projeto fosse qualitativamente tão bom ou melhor que o outro.
Nesse momento foi questionado a força da representatividade da Roda em função dos encontros estarem sempre esvaziados. Foi colocado que a Roda sempre tem andado assim e que não é somente a Roda e sim todos outros movimentos, decisões são tomadas e levadas para concordância ou não da categoria, mas que apesar de todos os esforços para mobilizar isso não tem sido possível, mesmo assim a Roda consegue articular e mobilizar e quando é de interesse da categoria ela tem comparecido. O levantamento da questão sobre a representatividade que se torna recorrente no nosso meio, entende a Roda que é necessário se construir isso já que não nos vemos contemplados pela atuação do SATED e nem da cooperativa, por isso o questionamento se a CPT, serve só a representação jurídica ou pode ser uma representação política. E levantou-se o posicionamento político nas ações atuais da categoria, do burocratismo que se vem criando e do papel dificultador da CPT na prestação de contas do fomento. A partir desse debate foi solicitado uma assembléia com a cooperativa para se discutir essas questões, que passou a ser pauta de reunião dos diretores na segunda dia 04/05/09.
A avaliação sobre o encontro com a comissão teve uma análise positiva, que a comissão merece nosso apoio, pela sua clareza e por dizer a categoria com honestidade e sinceridade o que necessitávamos ouvir, isto é: nos inteirarmos da lei no que diz respeito a elaboração dos projetos e para entender o quanto ela deixa a desejar, que é preciso mudá-la para atender a mais grupos e cias. Ficamos de verificar junto a cooperativa respaldo jurídico para a comissão a respeito do entendimento da lei, discutir e encaminhar ações com relação a ilegalidades que estão sendo cometidas na publicação dos editais indo contra a lei. Estamos formando uma comissão para dialogar com os vereadores nos seus gabinetes, colocá-los ao par do que é a Lei de Fomento ao Teatro, para traçarmos um perfil sobre a possibilidade de alteração dessa Lei e a elaboração de outras.
A construção do seminário ficou para a próxima reunião.


RODA DO FOMENTO.


Próx. encontro dia 06/05 na Cooperativa as 14:00 hs.

sábado, 2 de maio de 2009

ENCONTRO COM A COMISSÃO ELEITA PARA JULGAR OS PROJETOS DA XIV EDIÇÃO DO FOMENTO AO TEATRO DA CIDADE DE SÃO PAULO.



Estamos iniciando mais um encontro com a comissão que avaliou os projetos dessa XIV edição do Fomento, organizado pela RODA DO FOMENTO.

Como é de conhecimento geral, a RODA é um espaço aberto e democrático que foi criado a partir de questões que vieram do movimento "Arte contra a barbárie", com o intuito de compreender a lei e acompanhar sua aplicação, como sempre tem feito.

Já algum tempo que se manifesta entre nós, trabalhadores de cultura que dela participam assiduamente, o desejo de ir além da reflexão e acompanhamento; o de ser um movimento na tentativa de articular, mobilizar e lutar contra a precariedade cultural em que nos encontramos. Para isso levantamos várias bandeiras que levaremos a discussão com a categoria, tais como: elaboração de novas leis, seminários para a politização do artista, troca de experiências, entre outras coisas.

Organizamos o Manifesta-Fomento no fim do ano passado, porque nos era a única coisa possível pelo tempo e pessoal disponível, com formato discutível, mas válido pelo que causou; serviu para repensarmos certas ações e diálogos com poder público. Aprendemos com nossos erros. Propusemos a ocupação da Funarte, articulamos, mobilizamos, culminando na ocupação da mesma, que com a parceria de outros movimentos e participação da categoria, acabou por se transformar num movimento que se denomina Movimento 27 de Março, para lutar em esfera federal por políticas culturais mais justas com dotação orçamentária própria como a melhor alternativa para desenvolvermos trabalhos qualitativos para a sociedade.

A lei de fomento ao teatro, para lembrar, instituiu o Programa de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo, que foi desenvolvida num determinado momento histórico a partir do "Arte contra a Barbárie", marco nas políticas públicas de cultura da cidade e até mesmo do país, que hoje é referência até para outros países da América latina.

No entendimento da Roda após muita reflexão, ela necessita de modificações pelas contradições que carrega em si, mas nos ensinou que dotação própria em leis para a cultura é imprescindível para o desenvolvimento e sobrevivência dos grupos e companhias, que além de gerar empregos, forma público, interfere no cotidiano levando o cidadão a reflexão, também porque limita o poder público de mexer com o dinheiro público da maneira que melhor lhe convém. Entendemos também que o "Modelo Cultural" burguês, mercadológico, que abriga: leis, programas, incentivos, jamais será capaz de atender nossas necessidades, por isso estudamos, discutimos incansavelmente essas questões para sermos capazes de propor: não reformas, mas um modelo cultural novo, capaz de atender nossas demandas e a população do país.

A democracia nos norteia, determina nossas relações, que culminam nesse encontro de hoje para questionar, entender como nossos companheiros de trabalho, nesse momento como comissão julgadora de nossos projetos, seus critérios e sobre sua dificuldade na relação com o poder público; uma coisa é evidente: a verba destinada na Lei de Fomento não atende mais nossas necessidades, ela apesar de um avanço em termos de lei, engessa o uso dos recursos no sentido de que,como que com 4.222.000,00 (Quatro milhões duzentos e vinte e dois mil reais) se pode atender 20 grupos com projetos de até R$ 600.000,00 (Seiscentos mil reais)?

Seriam necessários pelo menos R$ 12.000.000,00 ( Doze milhões), e se tivéssemos recursos para contemplar mais de 30 grupos não poderíamos fazê-lo por força da lei, determinamos os cortes num orçamento que é parte do projeto, entre outras questões; o que nos ensina que esse modelo cultural mais do que fomentar a cultura de desconfiança, também nos divide, pois nos conduz a concorrência e nos leva a pensar como “Cultura de mercado”, desconfiamos de tudo, da comissão que elegemos e de nós mesmos.

A comissão eleita precisa saber que aprendemos o que reclamar e pra quem reclamar. Somos solidários com a atitude da comissão em peitar a secretaria por descontingenciamento de verbas, pois ouve um congelamento de R$ 2.074.555,43 (Dois milhões, setenta e quatro mil, quinhentos e cinqüenta e cinco reais e quarenta e três centavos). Gostaríamos de nos pautar sobre o parecer e os critérios usados para contemplar até 20 grupos, também como entender a escolha por dezessete grupos e ter que decidir por 14 projetos e registrar em ata que 3 grupos eram profundos merecedores de contemplação.

Algumas sugestões sempre recorrentes foram discutidas com a comissão que nos representou nesta edição:



1- Que o formato e a aparência de um projeto não fossem o único motivo da sua contemplação, pois os editais burocráticos procuram determinar a maneira de fazê-los e acabam por definí-los fazendo perder a originalidade da lei;



2- Que o orçamento fosse avaliado em relação direta com a proposta e não desvinculada dela;



3- Que os cortes, se realmente necessários, fossem de, no máximo, 10%;



4 - Que se em um projeto se exigisse um corte de 50% de seu valor, este projeto não fosse aprovado;



5 – Que fosse observado que se o grupo já possuísse um patrocínio em andamento e dependendo dos valores envolvidos, que esse fator pesasse na avaliação sobre outros projetos de mesma qualidade;



A Roda tem se reunido pelos motivos já apresentados e convida os grupos a compor conosco uma frente de diálogo, construção e luta por políticas culturais públicas capazes de transformar essa realidade cultural precária em que vivemos. Na roda cabe qualquer artista que queira contribuir para transpormos essa realidade.

E para finalizar, lembramos que o Fomento não existe para fazer um rateio entre os grupos, mas sim, para os projetos que melhor promovam um diálogo necessário com a Cidade de São Paulo.



RODA DO FOMENTO
SIDNEY NUNES

segunda-feira, 20 de abril de 2009

ATA DE 13 DE ABRIL DE 2009

Presentes:

SIDNEY NUNES (Cia.Estável)
RUDY (Redimunho)
GRAÇA CREMON (MTR)
OSWALDINHO (Cia. Estável)
LUIZ CALVO (Quase cinema)
FILIPE BRANCALIÃO (Humbalada)
DORBERTO CARVALHO (Insurgente)


PAUTA


1) Data do encontro com a comissão da XIV edição do fomento.
2) Pauta do encontro.
3) Reunião com a Diretora do DEC - SMC - Sra. Branca
4) Pauta da reunião com a diretora do DEC


- Foi concenso na Roda do Fomento que a reunião fosse realizada no dia 28/04/09 no espaço Teatro Coletivo na Rua da Consolação, confirmado pelo Rudy para as 19:30 hs.

- A pauta do encontro se baseará no parecer da comissão, que dá margem a uma extensa discussâo no nosso entendimento.

- O parecer será disponibilizado para todos os convidados, estamos providenciando isso através da SMC via e-mail e no blog da Roda.

- A reunião com a diretora do DEC se pautara pela continuidade da conversação anteriormente estabelecidade com o SR. Rubens de Moura sobre os seguintes pontos:

1) Construção de 4 seminários para a politização do ator, desde que possamos pautar e determinar o formato.
2) Criação de uma agenda comum dos grupos fomentados ou que enviaram projetos.
3) Criação do filme da Roda com o material já disponível.

Obs; A data do próximo encontro da Roda acontecerá no dia 22/04 as 11:00 hs.


SIDNEY NUNES

ATA DE 09 DE ABRIL DE 2009

Encontro Roda do Fomento (11h – Coop. Pta. Teatro)

Presentes:
Sidney Nunes (Estável)
Osvaldo (Estável)
Filipi Brancalião (Humbalada)
Patrícia (Folias)
Dorberto (Insurgente)
Luiz Calvvo (Quase Cinema)
Cia. Caldeirão

Pauta

- Avaliação da participação da RODA no Movimento 27 de MARÇO;
- Preparação do encontro com a comissão julgadora da ultima edição do Fomento.

O Osvaldinho abriu os trabalhos colocando um panorama de como vinham ocorrendo os encontros da Roda, já que a maior parte dos presentes era de pessoas que não costumam freqüentar os encontros.

Foi realizada uma breve avaliação dos acontecimentos (ocupação, cartas, etc.) do Movimento 27 de Março através de uma contextualização de como havia surgido na Roda à idéia de ocupação pela proposição do Ney Piacentini em um dos encontros da Roda no inicio do Mês de fevereiro, vale ressaltar que essa proposição foi discutida pelos presentes até que se chegasse à concordância e se tirasse os encaminhamentos para os próximos passos. A partir desse momento foi possível esclarecer o desenrolar dos fatos que culminaram no Movimento e nas ações acima citadas.

Após uma discussão onde foi possível a maioria das pessoas exporem suas opiniões e fazer suas considerações entendemos que assunto era muito amplo e devia ser tratado no espaço adequado que são os encontros do Movimento 27 de Março, e como já tínhamos maiores esclarecimentos dos fatos deveria ser dado seqüência na pauta.
No que se refere ao encontro com a comissão, levantamos as questões do número de contemplados na ultima edição e também ressaltamos o empenho da comissão diante das investidas da Secretaria de Cultura que a todo custo tentou reduzir o montante da verba para esta edição. Foi levantada uma série de questões relativas aos projetos aprovados e também no que diz respeito aos cortes, as discussões giraram em torno dos critérios utilizados para realizar esses cortes e até no que dizia respeito aos critérios de aprovação. Para não ficarmos levantando acusações injustas relembramos de como foi o primeiro encontro com a comissão e também sobre as sugestões dos presentes (indicativo de corte não superior a 20%, considerar o trabalho desenvolvido pelos proponentes sem se deixar impressionar pela apresentação do projeto, etc.). Por fim tentamos elencar alguns pontos norteadores do encontro com a comissão tais como: 1) Critérios utilizados para avaliação e aprovação dos projetos, 2) Critérios utilizados para realização dos Cortes, 3) Relato de como foi à dinâmica de “negociação” utilizada pela comissão nas negociações com a Secretaria, bem como sobre o processo de trabalho.
Conseguimos ainda tirar como data indicativa para o encontro o dia 27 de abril (segunda-feira) às 19h e levantamos possíveis locais para realização do encontro (Coletivo, 184, Parlapatões, Eureka, Feijão), os quais entraremos em contato para verificar a disponibilidade. Foi tirado como indicativo que mesmo sem ter o espaço definido Sidney Nunes já entraria em contato com a comissão para verificar se estavam disponíveis para essa data. Ainda falamos brevemente sobre o parecer elaborado pela comissão e ficamos de enviar a todos e deixar disponível no dia para que todos tenham o acesso e também possuam elementos para a conversa com a comissão.
Ficou acertado que o próximo encontro da RODA será no dia 13-abril na Coop. Pta. Teatro as 11h, para que possamos dar prosseguimento a preparação do encontro com a comissão.
São Paulo, abril de 2009.
Luiz Calvvo

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

ATA DO DIA 16/02/09

Ata da Roda de Fomento ao Teatro
Elaborada por Luiz Calvvo

São Paulo, 16 de fevereiro de 2009.

Os presentes:

Adriana (Fabrica),
Renata (Antropofágica),
Osvaldo (Estável),
Sidney Nunes
Dorberto (Insurgentes),
Luiz Calvvo (Quase Cinema).

O encontro teve como tema principal à organização para as manifestações do dia 27 de março. De inicio foi levantado o que pretendíamos com as manifestações e começamos a pensar em um tema geral que pudesse abarcar a classe de trabalhadores (músicos, técnicos, atores, diretores, palhaços, circenses, etc.) da área cultural, que de alguma forma estão relacionados também com o teatro.
As discussões giraram em torno da situação de trabalho precário que temos hoje como realidade, resgatamos a fala do companheiro “Paulo ou Pedro” que na reunião anterior levantou o fato da impossibilidade de conseguirmos financiamento junto a CEF e até mesmo realizar um tratamento dentário decente. Assim como foi consenso para o grupo, acreditamos que toda a classe trabalhadora sabe disso, más acaba por não se manifestar e se cala diante das pancadas, que não são poucas.
Quanto as pancadas, listamos algumas como a questão da falta do edital do Fomento a Dança e possível cancelamento da edição, os editais de Ocupação dos Teatros Distritais (que a maioria vai entrar em reforma!!!) e o do Vocacional (Musica, Dança e Teatro) que sofreu cortes orçamentários e está passando por um processo bem burocrático e arrastado que só fará reduzir o tempo de trabalho e prorrogar a aplicação da verba. Foram muitos os problemas levantados e sabemos que não vai ser fácil lidar com eles, daí a necessidade de nos organizarmos para fazer frente a BÁRBARIE que se anuncia. Tivemos também a oportunidade de levantar alguns programas que já tivemos e que se perderam no meio da burocracia e no jogo político.
Um outro tema que foi levantado foi o fato de os trabalhadores no campo da arte serem privilegiados aos olhos da população em geral (o povão!!!), acreditamos que precisamos nos aproximar deles e se apresentar com todos os nossos anseios e faltas, enfim mostrar o quão excluídos também somos e quem sabe começar a quebrar barreiras existentes. Vale lembrar que um dos objetivos centrais desse ano é a aproximação da grande massa de trabalhadores e movimentos de luta, e assim trabalharmos pela politização da nossa categoria.
Enfim tiramos como tema de nossas manifestações A PRECARIZAÇÃO DOS TRABALHADORES NO CAMPO DAS ARTES, um tema bem geral que será objeto de discussões para aprofundamento e serve para a convocação dos indivíduos e coletivos para organizar as manifestações. O Movimento de Teatro de Rua já se posicionou como parceiro e iremos buscar outros coletivos (Circo, Musica, Dança, Culturas Populares, Etc.).
Temos total apoio da Cooperativa Paulista de Teatro para a realização das convocatórias e também material para as manifestações.
Ficou decidido que para a próxima reunião (dia 02 de março na Cooperativa) será feita uma convocatória de coletivos e indivíduos, por telefone e e-mail, para discutirmos e aprofundarmos as ações do dia 27 de março.
Como fonte de inspiração para nossas manifestações foi sugerida uma música do Duo Moviola que fala dos perrengues para sobreviver como artista.
ESCUTEM URGENTEMENTE!!!
MUITO BOM!!!
Para estimular nossos pensamentos em relação à precarização de nosso trabalho e para estimular a mobilização do 27 de março.

O site é: http://www.myspace.com/duomoviola
A música é: O retrato do artista quando pede.



O próximo encontro da RODA acontecerá segunda-feira dia 02 de março de 2009 às 11h na Cooperativa.
Portanto nós da RODA DO FOMENTO AO TEATRO, convocamos a presença de todos os trabalhadores da área cultural a comparecer no dia 02/03/09 na Cooperativa Paulista de Teatro as 11:00 hs, ou enviar representante para a construção da manifestação do dia 27 de Março - Dia Internacional do Teatro e Dia Mundial do Circo.

O que nos move a construir essa manifestação?

- A precarização da Cultura
- A precarização do trabalho

Entre tantas outras coisas, dentro do tema tragam suas propostas para a organização, conteúdo e formato.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

ATA DA RODA DO FOMENTO EM 09/02/09

São Paulo, 9 de fevereiro de 2009.



Ata elaborada por Graça Cremon e Egla Monteiro

A Roda do Fomento realizou mais uma vez, o encontro da categoria teatral com a comissão que analisa as propostas a serem contempladas pela Lei de Fomento ao Teatro Para a Cidade de São Paulo.

Este encontro é uma oportunidade do exercício da cidadania, na medida em que tomamos para nós a responsabilidade de garantir que as conquistas previstas na lei possam ser asseguradas. É a possibilidade de, no debate e no confronto da lei com as necessidades dos fazedores e na relação com o público, que é o sentido do teatro que fazemos, aperfeiçoá-la.
Em suma, é o momento em que assumimos a responsabilidade pela condução de uma política cultural pública por meio de nossa participação.

Desta vez o encontro foi com a comissão da décima quarta edição do programa. Aconteceu na Cooperativa Paulista de Teatro. Foi a primeira reunião com esta comissão que avaliará o Fomento em sua primeira edição de 2009. Uma segunda reunião com esta mesma comissão está prevista depois de serem anunciados os contemplados. Desde já convidamos a todos para participarem. A data será divulgada oportunamente.

Os sete membros foram convidados. Cinco compareceram. São eles: Gabriela Rabelo,Cássio Pires, Isaias Almada, Carminda Mendes e Luiz Amorim.

Os outros dois, Tiche Vianna e Evaristo Martins, acolheram o convite e entenderam a importância do encontro, mas devido a compromissos anteriormente assumidos, infelizmente não puderam comparecer.

Ney Piacentini, presidente da CPT, abriu a reunião. Convidou a todos e todas para a entrega do Prêmio CPT de teatro nos Espaço dos Parlapatões, dia 16 de fevereiro, à noite.

Chamou também para apoiarmos a luta dos companheiros do Movimento Mobilização Dança que estão com a Lei de Fomento a Dança ameaçada de não ser cumprida.
Em seguida, falando em nome da Roda, Graça Cremon fez uma breve explanação sobre o Roda do Fomento, dizendo que é um movimento aberto e democrático, e que todos estão convidados a participar e se engajar nesta luta por políticas culturais públicas que atendam as necessidades dos grupos e fazedores de um teatro, que levem em conta as demandas e urgências do mundo contemporâneo na busca por uma sociedade humana, justa e solidária, em diálogo direto com a cidade. As reuniões da Roda acontecem sempre às segundas-feiras, ás 11h ou 14h.Ela apresentou, ainda, à comissão algumas falas recorrentes, trazidas pelos participantes da Roda, que reforçam que a preocupação com o “formato”, com a “aparência” dos projetos, está fazendo com que o Fomento perca, pouco a pouco, sua essência. Neste ponto, Egla Monteiro, falando em nome da Roda, toma a palavra para esclarecer a natureza dessas preocupações. Diz que a originalidade da lei, estava, inclusive, no modo de apresentar os projetos. Ou seja, o grupo, no momento de apresentar seu projeto poderia revelar, já na apresentação, o modo mesmo de procedimentos que o grupo ou núcleo utiliza para pensar seu trabalho artístico. As singularidades até no modo de apresentar, já contemplava a diversidade de modos existentes e não um único, como é padrão no mercado. A gente não tem que pensar em criar uma arte, investir recursos que ainda nem tem, para impressionar, ou descansar os olhos da comissão. As regras devem ser outras. Na medida em que a maioria dos grupos começa a ter a preocupação de apresentar seus projetos com identidade visual, com formatação-padrão, perde-se essa característica de se fazer as coisas na contramão do que nos é exigido pelos PACs, editais, e que de forma alguma, leva em conta nossas especificidades e originalidades, que , aliás, não estão em contradição com o desejo do teatro que queremos comungar com a cidade. A excessiva burocratização que o edital passou a exigir, já foi uma grande perda no sentido da originalidade da Lei também em relação ao modo de apresentar o projeto. Graça Cremon retoma a palavra e passa a apresentar as sugestões que a categoria teatral considera que a comissão deva observar para a análise dos projetos. Estas sugestões são preocupações sempre recorrentes, trazidas pelos grupos nas reuniões da RODA. Os pontos são os seguintes:1 - Que, em essência, quando a Lei foi criada, ela nasceu para atender, justamente, grupos de ação continuada, cujos projetos apresentados deverão estar em relação com suas pesquisas e trajetórias; Grupos de ação continuada não significa que novos grupos que acabaram de se formar não possam ser contemplados. Seus projetos têm que ser de continuidade.

2 - Que o orçamento seja avaliado em relação direta com a proposta e não
desvinculada dela;

3 - Que os cortes, se realmente necessários, sejam de, no máximo, 10%;

4 - Que se a um projeto se exigir corte de 50% de seu valor, este projeto não merece nem ser aprovado;

5 – Que seja observado se o grupo já possui um patrocínio em andamento e quais os valores envolvidos. Percebe-se, às vezes, um mesmo grupo acumulando vários patrocínios e/ou prêmios. Que esse fator possa pesar na avaliação sobre dois projetos muito bons.6 – Que a comissão mantenha o parecer para os projetos que não foram contemplados.7 – Foi lembrado, também, que o Fomento não existe para fazer um rateio entre os grupos, mas sim, para que os melhores projetos sejam contemplados. Sem esquecer que eles devem promover um diálogo necessário com a Cidade de São Paulo. Foram levantadas as seguintes questões para serem postas à comissão: RODA DO FOMENTO.

Luis Carlos Moreira fez considerações completas à respeito do orçamento do fomento. Questionou os valores postos pela SMC no edital, afirmando estarem incorretos. Pediu com urgência que sejam refeitas as contas para que sejam levantados os valores corretos, pois só assim a comissão poderá trabalhar de forma eficaz no sentido da utilização da verba. A prefeitura nos diz que nossos valores estão atualizados, mas, os números que o Moreira nos traz apontam diferenças. O Sidney também completou o quadro com os dados numéricos do tipo: investimentos pagos em 2009 de projetos iniciados nas duas últimas edições do Fomento, ou ainda pendentes.

Precisamos saber o valor atualizado para podermos brigar pelo nosso orçamento inteiro em 2009. Não podemos correr o risco de vermos esse dinheiro voltar na segunda edição.

O Moreira pediu que a Roda do Fomento encaminhasse junta a CPT a atualização dos valores e que, o mais breve possível, déssemos subsídios para que a comissão trabalhe sobre o orçamento correto. O Sidney Nunes ficou de encaminhar.

Isaias Almada, presidente dessa comissão, tentou nos tranqüilizar, pois estará atento a “como” iremos distribuir a verba dessa edição, mas, deixou bem claro que está pessimista em relação ao governo. Mostrou-se afinado com a Roda, bem como todos os membros da Comissão, que concordaram com os pontos colocados.

Falou também sobre os vícios de escrevermos projetos com gorduras esperando os cortes das comissões.

Como os projetos são escolhidos por comparação foi importante observar que se um grupo remunera seu artista com um valor bem menor que outro, não significa que o grupo que remunera melhor seu artista está com gordura. A relação de trabalho implica em relações internas ao grupo e isso acaba se traduzindo em remuneração diferenciada.

Paulo Fabiano retomou as preocupações em relação ao formato dos projetos, já postos por Egla. Criticou o fato de que há uma padronização dos projetos. Pediu que se uma proposta não está clara, mas a idéia é boa, isso deva ser considerado.

Marcos Pavanelli e, também, Dulce Muniz falaram em defesa da maturidade profissional da categoria em relação aos orçamentos sem gordura. Que isso tem sido enfatizado junto à categoria e tem sido um procedimento adotado para os projetos do Fomento.

Um companheiro novo na roda, fez um retrato interessante de como vivemos hoje em dia, nós os artistas. Observou que devemos deixar o glamour da profissão de lado e percebermos a informalidade em que vivemos. Não conseguimos nos organizar minimamente diante da nossa situação profissional. Não somos capazes de financiar o sonho da casa própria, nem conseguimos fazer um tratamento dentário digno. Devemos nos ver mais como trabalhadores que somos.

A fala da Dulce colocou uma importante questão, a da diversidade do teatro que se faz em São Paulo. Ela ratificou a necessidade de que esta diversidade seja considerada na hora da análise dos projetos, pois esta é uma riqueza que não pode deixar de ser levada em conta, sem risco de se ditar um “modelo” para o teatro que deve ser contemplado pelo Fomento.

A Sílvia retomou a questão posta por Paulo Fabiano, por Dulce e por outras pessoas presentes, sobre a questão do modelo de fazer projeto para o Fomento dizendo que é preciso, também, querermos nos capacitar, buscar o conhecimento e que, sim, a despeito disso, os que ainda não sabem fazer, mas têm propostas de interesse para a cidade (citou um grupo de jovens da periferia que realizou um lindo projeto e que tem essa característica de estar começando, com todas as dificuldades de formação e capacitação para fazer um projeto) também devam ser olhados com atenção, para além da escrita, da formatação. Ressaltou, ainda, a labuta de todos nós que ficamos a maior parte do tempo fazendo projetos e trabalhando na produção, até que nossos projetos sejam viabilizados.

A Graça Cremon apontou para que seja observado também como o grupo trabalha a questão da contrapartida social. Muitos entendem por contrapartida oferecer apresentações gratuitas às escolas da rede pública do município, incluindo CÉUS e outros espaços públicos. Entendemos que essa ação realiza migração de recursos da Secretaria de Cultura para a Secretaria de Educação, além de não permitir aos grupos não-fomentados que vendam, ou ainda, participem da programação desses espaços. Essa preocupação está diretamente ligada à não existência de programas que se debrucem sobre a Formação de Público para o Teatro na cidade. O Moreira recorreu à lei para colocar que a seu objetivo é “apoiar a manutenção e criação de projetos de trabalho continuado de pesquisa e produção teatral visando o desenvolvimento do teatro e o melhor acesso da população ao mesmo.” Lembrou, ainda, que um grupo novo pode ser contemplado com o Fomento, desde que comprometido com continuidade.A Gabriela Rabelo trouxe esclarecimentos (praticamente um mimo) sobre a palavra fomentar que, segundo pesquisa feita por ela no dicionário, vinha de friccionar um líquido quente
sobre a pele, e que só depois, tomou o sentido que conhecemos hoje. Para ilustrar, trouxe-nos a pérola: “Se não quis me ouvir, que se fomente!”.Vamos repetir aqui a pérola da Gabi, depois de presenciarmos um debate tão bacana como esse, que nos incentiva a manter a Roda cada vez mais forte, podendo ser capaz de promover estes encontros de pequenas grandes lutas. Então, para os que dizem “Não adianta, as coisas não mudam, não vou perder meu tempo na Roda”, lá vai: “NÃO QUEREM OUVIR...QUE SE FOMENTEM!!!“

O próximo encontro da RODA acontecerá segunda-feira dia 16 de fevereiro de 2009 às 11h na Cooperativa.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

ATA DA REUNIÃO DA RODA DO FOMENTO EM 02/02/09

Na Cooperativa Paulista de Teatro

Presentes:

EGLA MONTEIRO - Cia. dos Solistas
PAULO - Cia. Teatro X
LUIZ CALVO - Cia. Quase Cinema
OSWALDINHO - Cia. Estável de Teatro
SIDNEY NUNES - Dramaturgia



Pautas discutidas:

1- Roda do Fomento como um MOVIMENTO.

Este assunto é tema recorrente na Roda. Há um desejo, expresso nos participantes, de que a Roda assuma-se como MOVIMENTO, devendo ampliar suas articulações e reflexões.
Pensamos que devemos buscar meios de ampliar a participação da categoria teatral.
Só para constar, sempre, a Roda é um movimento democrático e todos estão convidados a participar e se engajar nesta luta por políticas culturais públicas que atendam as necessidades dos grupos e fazedores de um teatro que leve em conta as demandas e urgências do mundo contemporâneo na busca por uma sociedade justa e solidária.

2 - Reunião com a comissão eleita para selecionar os projetos do Fomento em sua primeira edição de 2009.

Na maior parte deste encontro ficamos discutindo e levantando as reivindicações dos grupos em relação às observações que eles desejam que a comissão leve em conta para análise dos projetos, no sentido de preservar os objetivos da Lei de Fomento. Muitas falas consideram que a preocupação com o “formato”, com a “aparência” dos projetos, está fazendo com que o Fomento perca sua essência, deixando de ser uma alternativa de, inclusive, fazer com que a própria maneira de apresentar os projetos, revele o modo mesmo de procedimentos que o grupo ou núcleo utiliza para pensar seu trabalho artístico.

A excessiva burocratização que o edital passou a exigir, já foi uma grande perda no sentido da originalidade da Lei também em relação ao modo de apresentar o projeto.
Foram levantadas as seguintes questões para serem postas à comissão:

- Que, em essência, quando a Lei foi criada, ela nasceu para atender, justamente, grupos de ação continuada, cujos projetos apresentados deverão estar em relação com suas pesquisas e trajetórias;

- Que o orçamento seja avaliado em relação direta com a proposta e não desvinculada da proposição;

- Que os cortes, se realmente necessários, sejam de, no máximo, 10%, e que sejam rateados entre o total dos projetos selecionados;

- Que se a um projeto se exigir corte de 50% de seu valor, este projeto não merece nem ser aprovado;


3 - A necessidade de nos organizarmos para o dia 27 de março é um assunto urgente.

Precisamos nos alinhar aos outros movimentos, como Redemoinho e Movimento de Teatro de Rua, na tentativa de, unidos, ficarmos fortes para uma manifestação pública que envolva atos políticos e bom teatro para a população desta cidade que tanto precisa de poesia, quer dizer, TEATRO!
Foi ressaltado também o fato de começarmos a pensar em nossa participação no PRIMEIRO DE MAIO, como trabalhadores que somos, ao lado das outras tantas categorias.


Próximo encontro na Cooperativa Paulista de Teatro ás 14:00 hs para reunião com a nova comissão do fomento.

Se o artista não se envolver, a História andará devagar.




RODA DO FOMENTO.